Você está em: » HOME » TALENTOS NEWS » Liderança
Ernesto Carvalhal*
O que é emoção? Como se manifesta? O que ela provoca? O que podemos fazer com ela? Como a liderança é ser influenciada pela emoção?Se procurarmos saber sobre a etimologia da palavra ‘emoção’, encontraremos sua primeira acepção no Latim emovere, significando “movimentar”, “deslocar”, ou emotionem, derivado de uma forma composta de duas palavras latinas: ex, "fora, para fora", e motio, "movimento, ação". O italiano emozione, o português ‘emoção’ datam do começo do século XVII e a acepção mais antiga é a de "agitação popular, desordem", posteriormente, é documentada no sentido de "agitação da mente ou do espírito". Sua etimologia sugere que a emoção é uma reação manifestada frente a algumas situações que, pela sua intensidade, mobilizam-nos para algum tipo de ação.
No âmbito psicossomático, vários autores na área das pesquisas sobre o funcionamento do corpo humano dizem que as emoções se caracterizam por uma ruptura do equilíbrio afetivo. Ou seja, as ações reflexas são provocadas nas situações em que a afetividade é de alguma maneira ameaçada. Quase sempre são episódios de curta duração, com repercussões concomitantes ou consecutivas, leves ou intensas, criando um bloqueio parcial ou total da capacidade de raciocinar com lógica. Isto leva a pessoa atingida a variações no grau de descontrole psíquico e comportamental.
Dizem esses autores que não podemos confundir emoções com sentimento. O sentimento não é de curta duração como a emoção. Sentimento é um estados afetivo mais durável, de intensidade menor e com menor repercussão sobre as funções orgânicas, bem como menor interferência na capacidade de raciocinar, resultando pouca alteração no comportamento. Amor, medo e ódio são considerados sentimentos, já a paixão, o pavor e a raiva são emoções.
Uma emoção se define como positiva quando, dentro de determinados limites, a reação aos estímulos reforça o componente cognitivo dando mais sabor às vivências do cotidiano, facilitando os comportamentos adaptativos. Porém, quando ultrapassa esse limite, as emoções passam a comprometer a capacidade de raciocínio e a afetividade se dissipa tornando as relações desagradáveis.
As emoções estão ligadas ao nosso processo de avaliação das situações.
O início de nossa função avaliadora da situação está no Sistema Límbico, que é um conjunto de estruturas em nosso cérebro com a função de analisar os fatos e eventos que acontecem durante nossa vida. Esse modo de análise leva em consideração vários elementos: as características individuais resultantes das experiências vividas, as circunstâncias da situação e as normas culturais.
A situação vivida pelo indivíduo passa por um processamento interno que analisa:
· a natureza do evento e sua possível ameaça,
· questiona qual a melhor maneira de enfrentar a situação e,
· finalmente, passa para a decisão.
Tanto os fatores constitucionais de personalidade, quanto as experiências anteriores de vida representam o núcleo desse sistema de avaliação. Esse processo é extremamente pessoal e a resposta é particular, portanto:
Diante de situações semelhantes,
os diversos indivíduos reagem de forma diferente.
Isso refletirá sempre o modo peculiar de cada um avaliar as situações, e o que é estressante para um, pode não ser para outro.
Conforme sua história, circunstâncias, aptidões e personalidade a pessoa tem maiores ou menores alternativas de enfrentamento da situação, sendo a alternativa mais elaborada de enfrentamento a que olha para a situação conscientemente, objetivamente, podendo falar sobre ela, discutir, refletir, superando-a conforme as características e os recursos à sua disposição. Quando isso não é possível por faltarem recursos disponíveis à personalidade, a tendência será lançar mão de outras formas enfrentamento.
As emoções são agradáveis ou desagradáveis, e sempre nos mobilizam para a ação tomando parte na nossa comunicação interpessoal. Portanto, as emoções atuam como poderosos motivadores da conduta humana. Deve ser destacado, no entanto, que as emoções são reações naturais, universais, que têm uma finalidade adaptativa mas, quando demasiadamente intensas e/ou freqüentes, essas mesmas reações podem até provocar alterações patológicas na saúde.
Se as reações diante das situações são pessoais, particulares, podemos afirmar que as emoções são colocadas por nós nas diversas situações. Ou seja,
A situação em si não é emocionante,
depende da análise que cada pessoa faz da situação.
Em processos de trabalho em equipe, cada membro da equipe reage de maneira diferente às diversas situações. Um dos diferenciais entre os líderes está relacionado à como trabalham suas emoções. Tomar consciência da emoção, perceber o que está acontecendo, quais são as sensações, é fundamental para tomar as rédeas da situação no exato momento em que a emoção se manifesta. Podemos resolver sair da situação até que a emoção diminua de intensidade. Podemos usá-la como recurso para conseguir alguma coisa. Podemos respirar fundo e ignorar a emoção, quando isso for possível.
É a combinação dos fatores que indica o caminho a seguir. Qual a intensidade da emoção? Como ela está afetando minha capacidade de raciocinar? Como está afetando o desenrolar da situação? Como está afetando as pessoas envolvidas? Tudo isso precisa ser considerado nesse rápido momento em que tomamos consciência da emoção.
Se ficarmos com raiva pela maneira como alguém respondeu a nossa proposta, por exemplo, podemos ficar fora de controle ao darmos vazão a essa emoção, e é fácil perder controle, perder a perspectiva, perder o foco. Assim como em um jogo de futebol, o que determina o campeão é o número de pontos obtidos nos jogos e não as reclamações dos jogadores ou o xingamento da torcida, sabemos que o que determina o sucesso de um líder é a disposição dos liderados em segui-lo. Para conseguir mais pontos os jogadores de futebol precisam movimentar a bola com habilidade e fazer gols, em processos de liderança não são as emoções, o drama durante o processo que vai definir o resultado e sim a sintonia entre os membros da equipe.
Em todo processo de liderança existem diversos momentos em que nossas emoções se manifestam. O líder experiente aprende a perceber suas emoções, assim como as emoções das outras pessoas da equipe. Ao perceber ele assume o controle e, dependendo das características das emoções percebidas passa a tomar decisões, sempre com foco no resultado pretendido e não nas questões provocadas pelas emoções. Esse é o desafio: emocionar-se sem perder o foco.
Como tronar-se um líder de sucesso? Assim como um pianista de sucesso faz:
Estudar e praticar sempre!
As duas últimas décadas têm sido marcadas por transformações em todas as áreas: tecnologia, economia, gestão, ecologia, consumo, etc. Os líderes das organizações, para conseguir trabalhar com suas emoções diante das incertezas provocadas pelas transformações constantes, precisam desenvolver competências adequadas a características deste início do século XXI.
Quais as competências necessárias ao líder do século XXI? Como posso desenvolvê-las?
Estas respostas você pode obter participando de nossa palestra programada para o segundo semestre de 2009. Faça já sua reserva de vaga na TALENTOS PR.
---
* Ernesto Carvalhal, consultor da Rede VISION – Desenvolvimento de Pessoas, é Especialista em Metodologia do Ensino, Graduado em Pedagogia, participou de diversos cursos, congressos e seminários tanto na área de Educação como nos assuntos referentes às relações empresariais e interpessoais, negociação e administração de conflitos, administração de recursos humanos, liderança e marketing.
www.vision.com.br – ernesto@vision.com.br
(:)